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CVM 193: Como a Auditoria ESG Obrigatória em 2027 Transformará as Empresas

  • Foto do escritor: Gamarano Planejados
    Gamarano Planejados
  • 10 de jan. de 2025
  • 3 min de leitura


Com a publicação da Resolução CVM nº 193, o Brasil deu um passo à frente ao adotar padrões internacionais de relatórios de sustentabilidade, alinhando-se às normas IFRS S1 e S2. Essa regulação exige que as empresas de capital aberto apresentem relatórios de sustentabilidade a partir de 2026, com um adicional crítico: a partir de 2027, esses relatórios devem passar por auditoria independente com asseguração razoável.


A inclusão da asseguração razoável representa um desafio significativo para as empresas, pois exige não apenas transparência e rastreabilidade, mas também precisão técnica que garanta a credibilidade dos dados ESG. Este artigo aborda os principais desafios dessa transição e oferece insights sobre como as empresas podem se preparar.


A asseguração razoável é um nível de auditoria mais rigoroso em comparação à asseguração limitada, que geralmente é aplicada em relatórios de sustentabilidade. Enquanto a asseguração limitada avalia se as informações são plausíveis, a asseguração razoável exige evidências mais robustas e verificações aprofundadas, similares às auditorias de demonstrações financeiras.


No contexto da CVM 193, isso significa:


  • Evidências robustas: Todas as informações ESG apresentadas devem ser respaldadas por documentação e processos verificáveis.

  • Conformidade com padrões internacionais: Os relatórios devem atender às normas IFRS S1 e S2 e outras regulamentações locais.

  • Alta precisão: Pequenas discrepâncias ou inconsistências podem ser sinalizadas durante o processo de auditoria.


Esse nível de exigência aumenta significativamente a responsabilidade das empresas em relação aos dados que reportam.


Empresas terão que lidar com alguns desafios frente a este novo cenário:


1. Estruturação de Sistemas e Processos

A asseguração razoável requer dados ESG confiáveis e bem estruturados. Muitas empresas ainda dependem de processos manuais e descentralizados, o que dificulta a rastreabilidade e a consistência.

  • Exemplo: Para atender às exigências da asseguração, uma empresa que reporta emissões de carbono precisa ter um sistema integrado que registre desde o consumo de energia nas operações até as emissões totais calculadas.


2. Qualidade e Disponibilidade de Dados

A ausência de dados padronizados ou históricos ESG é um dos maiores obstáculos. A asseguração razoável exige que as empresas mantenham registros detalhados e consistentes ao longo do tempo.

  • Desafio Adicional: Dados ESG geralmente vêm de múltiplas fontes, como fornecedores e unidades operacionais diversas, o que dificulta a uniformidade.


3. Capacitação Interna

A nova regulamentação requer equipes qualificadas para lidar com a complexidade dos relatórios ESG auditáveis. Além disso, as auditorias externas exigem que as empresas tenham processos internos alinhados aos padrões IFRS e aos requisitos de asseguração.

  • Impacto: Empresas precisarão investir em treinamento e contratação de especialistas para gerenciar o aumento da complexidade técnica.


4. Custos Operacionais

A transição para asseguração razoável demandará investimentos significativos em tecnologia, processos e auditorias externas. Pequenas e médias empresas podem enfrentar dificuldades financeiras para se adequar.


5. Integração com Estratégias Financeiras

A abordagem exigida pela dupla materialidade, que conecta impactos ESG à performance financeira, aumenta a complexidade dos relatórios. Essa integração ainda é um território novo para muitas empresas.


6. Engajamento de Stakeholders

A asseguração razoável aumenta a responsabilidade da empresa em demonstrar a veracidade das informações a seus stakeholders. Isso exige maior transparência e uma comunicação mais estruturada.


Para se preparar para essa nova fase de publicão das demonstrações financeiras, existem alguns caminhos para as empresas se preparar:


  1. Fortalecer Sistemas de Gestão de Dados:

    Adotar ferramentas tecnológicas que integrem e automatizem a coleta de dados ESG, garantindo rastreabilidade e consistência.

  2. Realizar Auditorias Internas Preliminares:

    Antes de 2027, realizar auditorias internas ou assegurações limitadas para identificar lacunas e ajustar processos.

  3. Capacitar Equipes:

    Desenvolver programas de treinamento para equipes responsáveis pelos relatórios ESG e para as lideranças que integram essas questões à estratégia.

  4. Estabelecer Relacionamento com Auditores:

    Trabalhar com empresas de auditoria especializadas em ESG desde o início pode ajudar a alinhar expectativas e identificar requisitos específicos.

  5. Integrar ESG à Governança Corporativa:

    Garantir que o conselho de administração e a alta liderança estejam envolvidos no processo, reforçando o alinhamento estratégico.


A exigência de asseguração razoável a partir de 2027 representa um marco para a sustentabilidade corporativa no Brasil. Embora traga desafios técnicos, financeiros e organizacionais, também oferece uma oportunidade única para as empresas fortalecerem sua governança, transparência e competitividade.


Empresas que se anteciparem a essas mudanças estarão melhor posicionadas para atender às expectativas de investidores, reguladores e demais stakeholders, enquanto promovem práticas ESG robustas e responsáveis. A preparação deve começar agora, com o fortalecimento de sistemas, capacitação de equipes e engajamento estratégico.


Se sua organização ainda não começou a se preparar para a asseguração razoável prevista pela CVM 193?, agora é o momento ideal para agir.

 
 

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